Votação na Líbia têm protestos e mais de cem postos eleitorais fechados
Do UOL, em São Paulo
As eleições históricas que acontecem neste sábado (7) na Líbia, décadas após a ditadura do líder Muammar Gaddafi – morto em 20 de outubro do ano passado por rebeldes– registram protestos e incidentes no país.
O presidente da Comissão Suprema Eleitoral da Líbia, Nouri al Abar, disse em entrevista coletiva que 101 postos eleitorais dos 1.554 localizados em todo o país não abriram suas portas por razões técnicas ou de segurança.
Transição na Líbia
Os líbios vão escolher uma assembleia de 200 membros que vai eleger o primeiro-ministro e seu gabinete, antes de preparar o terreno para as eleições parlamentares do ano que vem, sob uma nova constituição.
Na primeira entrevista coletiva concedida por Al Abar desde a abertura dos centros de votação, o presidente da comissão eleitoral informou que 94% dos postos haviam começado a receber os eleitores normalmente a partir das 8h (horário local, 3h de Brasília).
O presidente da comissão eleitoral comentou que até as 12h (7h de Brasília) a participação havia sido "boa em alguns lugares e muito boa em outros, apesar das altas temperaturas", mas não divulgou nenhum número.
Por sua vez, o porta-voz do Ministério do Interior, o oficial Aref al Juya, reconheceu que a situação de segurança obrigou a suspensão da votação em alguns postos eleitorais, mas ressaltou que as forças de segurança conseguiram restabelecer a calma em muitos desses lugares.
Os principais problemas foram registrados no leste do país, onde desde março numerosas vozes convocam ao estabelecimento de uma Líbia federal, composta por uma província ocidental, com Trípoli como capital, outra oriental, com Benghazi como principal centro urbano, e uma meridional, com a cidade de Sebha à frente.
Em Benghazi, manifestantes invadiram locais de votação e queimaram centenas de cédulas eleitorais. Testemunhas disseram que os manifestantes invadiram um local de votação logo após o início das eleições e queimaram publicamente centenas de cédulas na tentativa de minar a credibilidade da eleição.
Um delegado da comissão eleitoral disse que dois outros locais de votação em Benghazi também tiveram suas caixas de cédulas saqueadas.
Cerca de 2,8 milhões de líbios estão convocados neste sábado às primeiras eleições realizadas no país desde 1964.
Candidatos com agendas islâmicas são maioria entre os mais de 3.700 aspirantes, sugerindo que a Líbia será o próximo país da Primavera Árabe --após Egito e Tunísia-- a ver partidos religiosos garantindo controle sobre o poder.
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