quinta-feira, 19 de julho de 2012

ANP diz que ainda há vazamento residual em poço da Chevron no Rio

Reuters

Ainda há vazamento residual de cerca de 20 litros de petróleo por dia no poço da Chevron no campo de Frade, no litoral do Rio de Janeiro, onde houve derramamento em novembro de 2011, disse nesta quinta-feira a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard, durante apresentação de relatório sobre o incidente.

Segundo ela, o volume do vazamento calculado pela ANP em 3.700 barris considera o total que foi derramado desde a data do acidente até agora.

Vazamento de petróleo na bacia de Campos

Foto 8 de 20 - 18.nov.2011 - Vista aérea do trabalho de contenção do petróleo que vazou de uma plataforma da Chevron, na bacia de Campos, há dez dias Mais Rogério Santana/Governo do Rio de Janeiro/Efe

A Chevron analisou mal dados geológicos e poderia ter evitado o vazamento no poço no campo de Frade se tivesse feito as avaliações corretamente, disse Chambriard.

O documento sobre as investigações do primeiro vazamento na área operada pela petroleira norte-americana indicou que a empresa descumpriu a regulamentação e o seu próprio manual de procedimentos, conforme antecipou a Reuters na noite de quarta-feira.

A Chevron não foi capaz de interpretar geologia do campo de Frade, apesar de ter perfurado dezenas de poços no local, disse Chambriard a jornalistas nesta quinta-feira.

Segundo ela, a Chevron não utilizou dados de resistência da rocha. Se tivesse utilizado, teria concluído que poço em Frade não poderia ter sido perfurado.

A ANP concluiu que 3.700 barris de óleo foram derramados enquanto a petroleira americana perfurava um poço no campo da bacia de Campos. A estimativa é maior do que havia informado a Chevron, que calculou um vazamento de 2.400 barris.

A Chevron discordou, em nota enviada na quarta-feira, do volume estimado pela ANP, reiterando por meio de sua assessoria de imprensa que o total do derramamento somou 2.400 barris.

"Estamos analisando a estimativa da ANP", disse a Chevron, ressaltando que agiu sempre de forma diligente e apropriada, de acordo com as melhores práticas da indústria.

Normas

O relatório da ANP informa que o vazamento poderia ter sido evitado se a petroleira tivesse operado de acordo com o previsto pelas normas.

"Os elementos avaliados e descritos pela ANP em seu relatório demonstram, detalhadamente, que o acidente poderia ter sido evitado, caso a Chevron tivesse conduzido suas operações em plena aderência à regulamentação, em conformidade com as boas práticas da indústria do petróleo e com seu próprio manual de procedimentos", conclui a agência.

A multa para a Chevron será calculada dentro de 30 dias, informou a ANP nesta quinta-feira.

Regras

A ANP não vê necessidade de mudar as normas para o setor em função do vazamento na área da Chevron, disse Raphael Moura, superintendente da área de Segurança Operacional e Meio Ambiente da agência.

Segundo ele, o volume derramado em Frade correspondeu a 96% do total de vazamentos de petróleo registrados no Brasil em 2011.

A ANP disse que a Chevron só poderá retomar atividades exploratórias se demonstrar que compreendeu as causas do incidente, provando que pode perfurar e reinjetar água nos poços com segurança.
O relatório da ANP afirma que houve erro no gerenciamento da pressão no reservatório de Frade.

A agência disse também que a análise de risco do poço onde houve o vazamento, um documento importante para a operação, não estava na plataforma na bacia de Campos, conforme determina a regra.

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